Amazon lança Prime no Brasil, mas concorrentes continuam com espaço

10 de setembro de 2019 - 17h22
Segmento: Empresas
Fonte: Lopes Filho

A Amazon lançou o programa de fidelidade Amazon Prime no Brasil. Ele gerará acesso ao serviço de streaming com séries e filmes (Prime Video), serviço de música (Amazon Music), além de acesso à biblioteca de ebooks, a revistas e ao download de jogos. Também elimina o frete para determinados produtos e promete entrega em 48 horas em mais de 90 municípios. Até o momento, a entrega era gratuita apenas para compras acima de R$ 149.

Segundo Giovana Scottini, analista da Eleven Financial, o desafio é ter controle sobre o estoque e distribuição para garantir a logística do produto e ter sucesso na entrega em até 48 horas. “Como a companhia não possui os pontos físicos para apoio logístico, a entrega em até 48 horas é mais restrita. A entrega da última milha, até a casa do consumidor, é a mais complexa de executar e o principal gargalo para ganhos de escala do e-commerce”, disse.

A mensalidade do Prime no Brasil é de R$ 9,90 e o plano anual, de R$ 89,90, um desconto de 25%, sendo que os primeiros 30 dias de teste não serão cobrados. No Estados Unidos, ele custa US$ 119 por ano e representa cerca de 50% das vendas.

Para Scottini, o movimento anunciado aconteceria naturalmente em algum momento, uma vez que a Amazon já oferece esses serviços em outros lugares do mundo. “Mas é fundamental ressaltar que a combinação dos benefícios, avaliando a realidade brasileira, é uma oferta que tende a alcançar um nicho específico, não apresentando tendência de massificação no curto prazo. Há um espaço ainda muito relevante da população que utiliza ferramentas convencionais de financiamento do varejo, como carnês, cuja relação na concessão de crédito, no comportamento de consumo e na adaptabilidade é pouco presente em qualquer das operações globais da gigante entrante”, afirmou.

Após a notícia do lançamento do Prime no Brasil, as ações das suas concorrentes Magazine Luiza e B2W chegaram a cair quase 6,5% e mais de 5,5% respectivamente.

Mas a analista declarou que não vê alteração no cenário competitivo no comércio eletrônico no Brasil com a entrada do Prime. “O movimento de transformação e cultura de compra online está no início quando comparado a outros países mais desenvolvidos e, portanto, acreditamos que tem espaço para o mercado endereçável continuar crescendo”, explicou.

A analista exemplificou que o Magazine Luiza tem uma estrutura de logística robusta que engloba desde pontos físicos até micro transportadores, além de a companhia ter comprado a Netshoes, o que expandiu seu setor de atuação, e estar desenvolvendo um super app.

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