Ata do Copom

12 de setembro de 2017 - 16h00
Segmento: Macroeconomia
Fonte: Lopes Filho

O ciclo de cortes da taxa Selic parece estar perto do fim. Isto parece ter ficado claro depois da ata do Copom desta terça-feira. Disse ela que “uma redução moderada na magnitude de flexibilização da política monetária parece adequada para a próxima reunião do Copom de outubro”. Disse também que os diretores achavam “haver benefícios para este fim gradual do ciclo monetário”. Lembremos que na reunião do Copom da semana passada já se falava sobre isso. Nesta, a Selic acabou reduzida em um ponto percentual, a 8,25%.

Sendo assim não será surpresa se uma próxima redução, no Copom de outubro, se limitar a 0,75 p.p., indo a taxa a 7,5%, e mais um corte de 0,5 p.p. em dezembro, para a taxa fechar o ano em 7%, podendo recuar abaixo disso em 2018. Como a capacidade ociosa ainda é muito elevada (“hiato do produto” mostrando forte gap entre produção potencial e efetiva) e a retomada ainda muito lenta, não faria muito sentido manter o juro real muito acima de 4%. Deve recuar a 3,5/3,0% já que a inflação, pelo IPCA, se encaminha para abaixo de 3%.

Disse então a ata que “a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, com taxa de juros abaixo da estrutural”. Com as reformas em curso, mudanças nos mecanismos de crédito e outros ajustes, a tendência é de que a taxa estrutural se mantenha em queda.

Inflação estimada. Para a ata, “a inflação continua evoluindo de maneira favorável”. Sendo assim, e tendo-se como premissa a taxa de câmbio e a Selic da Focus (R$ 3,20 e 7,0%, respectivamente), as projeções do IPCA para este ano são de 3,3% e para 2018 4,4% (7,0% de Selic e R$ 3,35 de câmbio). Este repique em 2018 deve acontecer pela retomada mais consistente da economia e o aumento dos gastos públicos, pela proximidade das eleições.

Por fim, continuam os diretores observando os alimentos como âncora favorável. Os alimentos em casa recuaram 5,2% em 12 meses até agosto, contra 9,4% de alta em 2016. Com certeza, a boa safra deste ano acabou tendo grande influência no comportamento mais comportado dos alimentos neste ano, contribuindo decisivamente para a inflação mais fraca.

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