Balanço semanal

09 de fevereiro de 2018 - 17h00
Segmento: Mercados
Fonte: Lopes Filho

Que semana! Terminou, mas será que na próxima tem mais? Tudo leva a crer que sim.

Iniciamos na segunda-feira passada (dia 5), meio que catatônicos com o comportamento baixista dos mercados globais, mergulho este se repetindo na quinta-feira (dia 9). Na sexta-feira, as bolsas norte-americanas esboçaram alguma reação, mas nada muito sustentável. Logo em seguida, voltaram a cair. Como bem disse Miriam Leitão em sua coluna: “saímos da calmaria recente para ingressar no modo volatilidade”. Muito se comenta, inclusive, que o patamar histórico correto do Dow Jones estaria em torno de 19 mil pontos e não nos 24 mil atuais. Ou seja, ainda existe espaço para novas realizações.

Acabou a euforia. E isso vem sendo sentido no nosso mercado, dado o grande volume de investidores estrangeiros e a elevada liquidez existente. A bolsa doméstica, em janeiro, se valorizou 11,1%, bateu novos recordes, indo em alguns momentos a 86 mil pontos, mas na semana passada, depois de alguns tombos, já rondava os 81 mil.

Vários fatores ajudam a explicar estas “correções técnicas”, mas o mais convincente vem dos indicadores norte-americanos, em firme recuperação, abrindo espaço para mais inflação. Na sexta-feira anterior os dados do mercado de trabalho de janeiro vieram fortes, com o payroll gerando 200 mil vagas e o desemprego a 4,1% da PEA, mas chamou atenção o aumento do custo da mão de obra, por hora trabalhada, aumentando 2,9% em termos anualizados. Isso pode sinalizar fatores de pressão inflacionária no futuro. O PCE, índice muito usado pelo Fed, em 1,7% anualizados, deve passar da meta de 2% em breve, o que tende a acender uma luz amarela. Agora, consideramos o ciclo de juro em quatro ajustes neste ano, até chegar próximo a 3%. Os títulos públicos bem refletiram isso, com os rendimentos em elevação. Os de 10 anos negociados a 2,83% na semana passada, acima de um mês atrás (2,55%), e os de 30 anos, a 3,11% contra 2,89% há um mês.

Em decorrência disso, vem ocorrendo um movimento de migração dos investidores da renda variável para a renda fixa, com desmonte de posição em bolsa e em vários fundos, inclusive nos índices de volatilidade (VIX). A intensidade destes movimentos talvez se explique pelos recursos tecnológicos cada vez mais avançados, como robôs traders, operações com algoritmos, etc.

Somam-se a isso algumas commodities, como o petróleo, que voltaram a se desvalorizar diante da sinalização de uma economia global crescendo menos, com os riscos inflacionários. O chamado “crescimento sincronizado”, entre emergentes e avançados, observado pelas projeções do FMI, pode ser revertido, diante da necessidade dos bancos centrais de elevarem a taxa de juro e reduzirem nas recompras de títulos. O objetivo aqui é sair do crédito e da liquidez farta desde 2008 e tentar normalizar as políticas monetárias nos vários mercados.

No Brasil, foi também uma semana intensa, tanto na seara política como na econômica. Com o fim do recesso no Judiciário e no Legislativo voltaram as “escaramuças” em torno da agenda da reforma da Previdência, cada vez mais ameaçada. Sua votação acabou, mais uma vez adiada, do dia 19 para o 28, mas nada é garantido que vá ocorrer, até porque o governo parece não ter os 308 votos necessários.

Na economia, uma novidade foram as vendas do varejo de dezembro, recuando 1,5% contra novembro, mas em recuperação de 2% no ano, depois de dois em forte recuo. O IPCA de janeiro, menor que o esperado (a 0,29%), desacelerou em 12 meses de 2,95% a 2,86% e foi destaque a reunião do Copom, que não deixou em aberto um novo corte da taxa na reunião de março. O corte foi a 6,75%, considerado um piso a não ser que a reforma da Previdência avance.

Para a agenda da semana, mais curta pelo Carnaval, estejamos atentos à ata do Copom na “quarta-feira de Cinzas” e o IGP-10 de fevereiro, previsto em torno de 0,5%. Nos EUA, atenção para o CPI e o PPI de janeiro, e seus núcleos, e os indicadores de produção do Fed de NY e da Filadélfia. Na sexta-feira destaque para o Índice de Confiança de Michigan de fevereiro.

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