Balanço Semanal

13 de abril de 2018 - 17h00
Segmento: Mercados
Fonte: Lopes Filho

Terminamos mais uma semana intensa.

Por aqui várias escaramuças se avolumaram no STF, cada vez mais pressionado em torno da discussão sobre a prisão em segunda instância e o posicionamento de alguns ministros. Foi uma semana pesada também em Curitiba, com partidos de esquerda e movimentos sociais se aboletando próximo à Polícia Federal, em solidariedade ao novo prisioneiro Lula da Silva.

Tivemos também na semana o clarear no posicionamento de alguns candidatos, como Joaquim Barbosa do PSB, tentando se tornar o candidato mais indicado para liderar a esquerda nestas eleições, assim como alguma movimentação do candidato do PDT, Ciro Gomes. Pelo centro, Geraldo Alckmin do PSDB se viu livre da Lava-Jato, mas o desgaste por projetos suspeitos em São Paulo, tendo as empreiteiras como “pano de fundo”, serviu para desgastá-lo ainda mais. Crescem nos bastidores a busca de alternativas. João Doria pode estar de standby.

Na economia, definiu-se a nova equipe econômica do governo Temer (cada vez mais capenga), em sintonia com a forma de pensar do antigo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que tenta se lançar à presidência. Assumiu Eduardo Guardia na Fazenda, mantendo a mesma equipe do ministro anterior. Cabe observar alguma polêmica nesta sucessão já que parte do MDB tinha restrições por achar que Guardia teria pouco “jogo de cintura” para encarar o Congresso. Dyogo Oliveira (ex-Planejamento) foi para o BNDES, em seu lugar assumindo o ex-secretário-executivo Esteves Colnago. Dyogo sinalizou que deve imprimir outro ritmo ao “bancão de desenvolvimento”, visando aprovar novos projetos, embora o funding por lá esteja escasso. Já Colnago deve manter a mesma linha do ministro anterior. Importante observar que Dyogo Oliveira e Colnago são sobreviventes da equipe do ex-ministro Nelson Barbosa. O que isso pode significar? A esta altura do governo Temer, muito pouco. Restam apenas nove meses de gestão.

Falando da semana de indicadores, tivemos o IPCA de março em desaceleração e as vendas do varejo e os dados de Serviços mostrando baixo dinamismo. Sobre o front inflacionário, o IGP-DI registrou 0,56% em março, impactado pela alta das commodities no atacado, o IGP-M da primeira prévia de abril desacelerou a 0,18%, contra 0,60% no mesmo período de março, e o IPCA do mesmo mês acabou abaixo do esperado, 0,09%, o que deve reforçar a necessidade de mais um corte da taxa Selic no Copom de maio. A taxa, então, seria reduzida de 6,50% para 6,25%, com o BACEN, depois, dando um tempo, no aguardo da definição do quadro eleitoral. É este evento, aliás, a permear o cenário da economia para o ano que vem.

Por fim, a Moody’s resolveu dar um “voto de confiança” ao “risco soberano” do Brasil, mantendo a nota de crédito e elevando a perspectiva de negativa para estável. Pesou o fato de que o presidente, a assumir em 2019, terá que manter a agenda de reformas atual. Fiquemos na torcida.

A Novinvest Corretora de Valores Mobiliários Ltda. não se responsabiliza pelo conteúdo, notícias, opiniões, informações, indicações, dentre outros de nossos parceiros e/ou referências.