China importa 45% mais carne em maio

24 de junho de 2019 - 16h33
Segmento: Empresas
Fonte: Lopes Filho

O Departamento de Alfândegas da China divulgou que o país importou, em maio, um volume de carne e vísceras 45% maior que o mesmo mês do ano passado. O aumento é devido principalmente à febre suína africana, que atingiu o território chinês e desencadeou a elevação dos preços de todas as proteínas pelo mundo.

A febre suína africana apareceu no início do século XX no sul e leste africanos, mas, por ser altamente contagiosa, alastrou-se pelo mundo afetando fortemente a China no último ano. Aqui no Brasil, não. Existe um programa nacional de controle que faz com que o território nacional seja livre do vírus.

A doença, que pode até causar hemorragia, não acomete o homem e é transmitida pelo contato direto entre os animais, pela ingestão de produtos de origem suína contaminada com o vírus, ou carrapatos.

Ela é diferente da febre suína clássica e ainda mais severa, sendo devastadora. Por isso, no mês passado, criadores na China tiveram que abater mais de 1 milhão de porcos.

Segundo o Morgan Stanley, o consumo de carne de porco na China diminuiu desde que a doença passou a ser conhecida pela população. Com a menor produção chinesa e a maior procura por outros tipos de carne, o setor de proteínas em todo o mundo pôde obter vantagens devido a um aumento de preços do produto. No acumulado deste ano, a China importou 2,2 milhões de toneladas de carne, aumento de 23% em relação a 2018.

Para Diana Stuhlberger, analista da Eleven Financial, o Brasil é o que mais deve se beneficiar no longo prazo. Um dos fatores que favorecem as empresas brasileiras é a guerra comercial entre EUA e China. Se ela continuar, os brasileiros podem se tornar o principal exportador de carne para os chineses por três motivos principais: facilidade comercial com o país, espaço para aumentar a utilização da capacidade instalada nas indústrias e preços dos insumos. “A oferta de gado, principalmente nos Estados Unidos, continua ampla, mantendo o preço do gado em níveis estáveis. Com a demanda aquecida, o diferencial entre o preço de venda dos frigoríficos e o custo do gado se encontra em níveis elevados”, explicou nossa analista.

Com isso, o setor de carne bovina é o que mais pode obter vantagens, pois esse é o único tipo de proteína que vem apresentando crescimento de demanda na China. Além disso, evidências históricas mostram que os chineses são protecionistas com as suas indústrias de carne de porco e de frango.

Já a carne bovina é mais vantajosa de importar, porque a produção no Brasil é mais barata, devido aos espaços disponíveis para a pecuária e à ampla produção brasileira de grãos, como soja e milho, que servem como ração para os animais. A China também possuía essas vantagens, mas, desde que a febre suína clássica se espalhou, as importações de carne dobraram e continuam no mesmo patamar até os dias atuais.

Com isso, as ações das empresa brasileiras de proteínas apresentam excelentes desempenhos no acumulado de 2019 até o momento, com a Marfrig apresentando valorização de cerca de 20%, BRF, mais de 30%, Minerva, cerca de 59% e JBS, mais de 89% até o último dia 21.

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