Trump volta a atacar FED, mas política monetária é condizente

24 de junho de 2019 - 16h29
Segmento: Macroeconomia
Fonte: Lopes Filho

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou o FED novamente hoje, dizendo que o banco central americano se recusa a relaxar sua política monetária "como uma criança teimosa". Antes mesmo de a instituição divulgar sua decisão sobre a taxa de juros, foi noticiado que Trump já havia consultado advogados da Casa Branca sobre a viabilidade de tirar Jerome Powell da presidência do Federal Reserve. Mas a porta-voz do banco central, Michelle Smith, afirmou que, pela lei, o presidente só pode ser retirado do posto se houver uma conduta inapropriada ou ilegal.

Na quarta-feira, o FED manteve a taxa de juros no intervalo entre 2,25% e 2,5%. Apesar das críticas de Trump, o banco central ressaltou que agirá para manter a expansão sustentada da economia. Segundo o comunicado, houve um aumento nas incertezas para atingir o máximo de empregos e cumprir a meta de inflação, de 2%. Essa mudança no cenário levará o Fomc a observar os próximos dados da atividade.

Na visão do analista de macroeconomia da Eleven Financial, Thomaz Sarquis, a decisão do Fomc foi condizente com a evolução da conjuntura econômica no período. “O comunicado, no entanto, pode ser interpretado como um encaminhamento para cortes em reuniões subsequentes, o que representa uma subestimação dos riscos inflacionários”, disse.

Em termos de atividade, nota-se que temores de eventuais desacelerações estão associados a uma escalada da guerra tarifária e um menor fluxo comercial tende a deprimir a atividade econômica, no entanto, há riscos de que essas tensões gerem uma contrapartida inflacionária, advindos de repasses das tarifas para os preços ao consumidor e menor concorrência entre empresas locais e estrangeiras. De acordo com Sarquis, esse risco é parcialmente compensado pelo fortalecimento do dólar frente ao aumento dessas incertezas.

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